Hoje,
um daqueles dias que sinto-me incapaz
incapaz de ver minha própria imagem,
minha própria capacidade,
uma esperança qualquer,
um futuro para além.
A noite,
é quando piora a sensação
sensação de que aqui não é meu lugar,
não é meu papel no mundo
nem tampouco o que me satisfaz.
Nessa hora,
que já desliguei o telefone com curtas palavras,
curtas para disfarçar
disfarçar a impotência
a vontade de querer jogar
e jogar tudo pro alto.
Não entendo de métrica,
nem de dialética
Não faço filosofia
só espero todos os dias
a hora de ir para a academia.
Corpo
está exausto
não dos exercícios que tenho feito
dos pesos que tenho colocado
nos equipamentos
mas do peso que tenho dado
aos itens de minha vida.
E somente
na uma única hora que entrego a academia
sinto-me entregue,
entregue as minhas contagens,
as minhas dores e desafios físicos pessoais
de resto...
meu único desafio é encarar a vida.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Ubermensch
Hoje eu seria um ser predestinadamente fraco à luz de Nietzsche, sou a culpa ambulante que executou grandes conquistas neste conturbado ano. Engraçado que ali no fundo grita uma voz que sabe o que diz, que sabe a força e o poder que tem, o impulso. E ela bate no vidro que fechei, ou na redoma que criei e trinca, pouco a pouco, querendo seu espaço. Contraditório um ser fraco exibindo sinais de super homem, sendo assim sempre fui um ubermensch - com seus sinais vitais abafados.
Esclarecidamente confusa, sei meus pontos fracos, sei a raiz de meus conflitos mas não sei como soluciona-la sem resolver antes a questão do mundo todo.
Esclarecidamente confusa, sei meus pontos fracos, sei a raiz de meus conflitos mas não sei como soluciona-la sem resolver antes a questão do mundo todo.
domingo, 8 de novembro de 2015
Shots de café
Alguns cafés não são para serem
degustados
São para serem imediatamente tomados em
rápidos goles
Cafés fortes, nada de açúcar
Talvez apenas
Um pouco de mel aqui
Uma pitada de canela pra fechar.
São para serem imediatamente tomados em
rápidos goles
Cafés fortes, nada de açúcar
Talvez apenas
Um pouco de mel aqui
Uma pitada de canela pra fechar.
Algumas atitudes não são para serem
degustadas
São para serem -talvez não tão imediatamente-
tomadas
Decisivas, práticas
Não por isso menos difíceis
Não por isso sem cautela ou leveza,
Não por isso.
degustadas
São para serem -talvez não tão imediatamente-
tomadas
Decisivas, práticas
Não por isso menos difíceis
Não por isso sem cautela ou leveza,
Não por isso.
O que ficar já foi outrora
degustado
em meio a encantos e
euforias
acrescentado de mel, canela e
pimenta
E passou, na vida daquela que tudo enfrenta, passou
muito bem... passado.
degustado
em meio a encantos e
euforias
acrescentado de mel, canela e
pimenta
E passou, na vida daquela que tudo enfrenta, passou
muito bem... passado.
Enquanto aguardo o recomeço
Não degusto, não encanto
Observo, reflito
Enquanto calmamente encaro
Não degusto, não encanto
Observo, reflito
Enquanto calmamente encaro
Os shots de café.
domingo, 25 de outubro de 2015
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Minha nova cama
... não é sobre ela; é sobre tudo que penso e vivo nela.
A greve me presenteou com o que eu mais desejava, minha casa.
Também minha família, meus jogos noturnos de final de semana entre outras coisas inesperáveis. Vivi uma realidade que não sabia que era capaz, não sei se foi benéfica mas me deu bons sorrisos e sensação de alívio, não tinha mais que ir para lá. O sofrimento em cuidar de fazer e desfazer a mala foi deixado de lado e deu lugar a arrumação da bolsa de treino. A correria de sair no final de semana porque domingo era dia de achar carona passou e deu lugar para uma preguiça, talvez, de "com certeza é melhor ficar na cama". Umas saudades são recorrentes mas como não ando sabendo bem como lidar comigo talvez seja melhor não atrair mais gente para perto. Tanto me foi dito sobre amigos nesse tempo que ao presenciar uma discussão capaz de mudar o rumo de histórias refleti sobre onde estão e quem são os meus.
Nesses meses de férias-greve também me senti com 17 anos, entrando em um ônibus rumo ao inesperado. Podia ter dado tudo errado, como acabou nos tempos de 17, mas deu certo mesmo com as pernas bambas e ainda não acabou. Dessa vez há clareza e uma boa dose de confiança com gotas de frustração já esperadas que não julgarei. Claro que não passaria assim tão em branco sem ao menos um porre digno de ser esquecido, houve. Mas todo o resto foi bem maior.
Mal consigo me manter em cima desta cama sem ver tudo que já aconteceu nela passando como um filme e olha que ela é novinha. Tenho duas semanas pela frente sobre esse mundo, hoje azul, confortável e gigante, que sei.. serão dias tumultuados, do choro ao riso, da clareza a confusão e de, claro, inesperados..
Continuo confusa, com a autocrítica lá no teto e me perguntando onde andará Fred para me dar um abraço e dizer para de frescura, mulher, sai daí. Hoje não sou capaz de gritar por Fred embora meu coração o faça sempre.
Com a greve eu ganhei também a certeza de um amigo, nesse caso me valeu as alegrias que já vivenciei e sei que em outro quesito, o das pequenas frustrações só cabe a mim enxergar até onde vai, como sempre, ao meu ver os tapas de sinceridade tem sido mais valiosos.
Eu disse.
Queria dizer a você quando disse também. Algum dia quem sabe.
Até o momento decidi que preciso trabalhar a força para refazer as malas e encarar mais uma vez aquele outro universo, quero tentar, novamente, de uma outra forma se possível. Se vou aguentar um dia, uma semana, o semestre ou até o diploma eu não sei, a longo prazo me parece razoável ao menos tentar. E se não der? Pra quem levou porrada, teve hematomas e se dedicou ao longo dos meses, 230km podem sim ser piores mas que eu seja capaz de lembrar da dor física: fica roxo, muito tempo, dói, queima, te impede de fazer determinadas coisas, exige cuidado, paciência, gelo mas passa e rápido até. Só não precisa chorar...
E estou aberta a mudanças de opinião.
A greve me presenteou com o que eu mais desejava, minha casa.
Também minha família, meus jogos noturnos de final de semana entre outras coisas inesperáveis. Vivi uma realidade que não sabia que era capaz, não sei se foi benéfica mas me deu bons sorrisos e sensação de alívio, não tinha mais que ir para lá. O sofrimento em cuidar de fazer e desfazer a mala foi deixado de lado e deu lugar a arrumação da bolsa de treino. A correria de sair no final de semana porque domingo era dia de achar carona passou e deu lugar para uma preguiça, talvez, de "com certeza é melhor ficar na cama". Umas saudades são recorrentes mas como não ando sabendo bem como lidar comigo talvez seja melhor não atrair mais gente para perto. Tanto me foi dito sobre amigos nesse tempo que ao presenciar uma discussão capaz de mudar o rumo de histórias refleti sobre onde estão e quem são os meus.
Nesses meses de férias-greve também me senti com 17 anos, entrando em um ônibus rumo ao inesperado. Podia ter dado tudo errado, como acabou nos tempos de 17, mas deu certo mesmo com as pernas bambas e ainda não acabou. Dessa vez há clareza e uma boa dose de confiança com gotas de frustração já esperadas que não julgarei. Claro que não passaria assim tão em branco sem ao menos um porre digno de ser esquecido, houve. Mas todo o resto foi bem maior.
Mal consigo me manter em cima desta cama sem ver tudo que já aconteceu nela passando como um filme e olha que ela é novinha. Tenho duas semanas pela frente sobre esse mundo, hoje azul, confortável e gigante, que sei.. serão dias tumultuados, do choro ao riso, da clareza a confusão e de, claro, inesperados..
Continuo confusa, com a autocrítica lá no teto e me perguntando onde andará Fred para me dar um abraço e dizer para de frescura, mulher, sai daí. Hoje não sou capaz de gritar por Fred embora meu coração o faça sempre.
Com a greve eu ganhei também a certeza de um amigo, nesse caso me valeu as alegrias que já vivenciei e sei que em outro quesito, o das pequenas frustrações só cabe a mim enxergar até onde vai, como sempre, ao meu ver os tapas de sinceridade tem sido mais valiosos.
Eu disse.
Queria dizer a você quando disse também. Algum dia quem sabe.
Até o momento decidi que preciso trabalhar a força para refazer as malas e encarar mais uma vez aquele outro universo, quero tentar, novamente, de uma outra forma se possível. Se vou aguentar um dia, uma semana, o semestre ou até o diploma eu não sei, a longo prazo me parece razoável ao menos tentar. E se não der? Pra quem levou porrada, teve hematomas e se dedicou ao longo dos meses, 230km podem sim ser piores mas que eu seja capaz de lembrar da dor física: fica roxo, muito tempo, dói, queima, te impede de fazer determinadas coisas, exige cuidado, paciência, gelo mas passa e rápido até. Só não precisa chorar...
E estou aberta a mudanças de opinião.
sábado, 22 de agosto de 2015
A verdade é que eu não gosto de nada, não gosto de sociologia, não gosto de filosofia, não gosto de religião, não gosto de história, tão pouco geografia ou turismo. Não é por maldade, é que eu não entendo nada do que me falam, estou no fundo olhando para o quadro negro e se pensam que estou devaneando [?] ou sonhando com algum amor enganam-se, é um branco, um vazio, um nada. Sou eu sentada na cadeira em algum degrau específico que escolhi detalhadamente para aquela disciplina, encantada por 5 minutos com o professor ou professora e depois disso apenas olhando um quadro. Tenho muitos cadernos, muitos mesmo e nunca usei nenhum deles de maneira que me fizesse entender o que estava escrito depois, talvez apenas na primeira semana da aula de Humanidades quando eu usava um de meus cadernos rascunho, talvez, tirando línguas, tenha sido a unica matéria que tenha entendido na academia, alias matéria não, parte da matéria, só a primeira. Nunca escrevi um trabalho digno da academia também, talvez tenha esboçado uma coisa ou outra que chegasse no mínimo aos pés de um, é porque eu não entendo nada do que me explicam, nada do que leio, nada que me mostram. Já criei vários planos para estudar: caderno rascunho para passar a limpo no caderno oficial, gravar aulas inteiras de três, quatro horas para ouvir pausadamente depois, ler na biblioteca ( isso me dava um sono desesperador, como se não dormisse há dias), ler em grupo, ler no centro acadêmico, ler com fones de ouvido tocando música instrumental ou em línguas desconhecidas, ler no quarto com a porta fechada, ler na sala, ler de manhã, ler de noite, ler de madrugada, ler resenhas na internet, ler bêbada, ver vídeos e filmes, mas não entendo nada. Um ano sem entender nada mas sentindo um impulso de estar no meio de tudo aquilo, como se tudo aquilo tivesse um porquê e algo a me ensinar mesmo que tenha passado um ano sem eu entender nada. Pode ser que eu tenha algum problema real em assimilar informações, ou que aquilo tudo não seja meu caminho de fato ainda. É tão ruim não saber nada, não entender nada e não por preguiça, mas por não saber mais inventar planos para saber.
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Vinho, não vinho?
Ela só queria vinho depois de um dia de quinta.
Quinta feira, digo, pois nesse dia ela se descobriu um pouco mais, perdeu um pouco da timidez e se permitiu, ela com ela mesma. Tudo lhe interessava, textos, vídeos, importunar alguém, menos fazer sua última prova do semestre. Apesar disso estava um dia leve, tinha ideias para falar, assunto para conversar sem ter que pensar muito e esforçar para ter o mínimo do nada. Indagou e importunou tanto que ouviu o que atiçava sua mais profunda curiosidade. Ficou extasiada, empolgada, sorriu, se encarou no espalho e logo em seguida teve uma pontada na cabeça, uma dor que duraria por um longo tempo, um sentimento de frustração, de saber algo e não saber fazer esse algo, de ter medo, ciúme, angústia, cogitar a tentativa mas a razão, aquela a qual acompanhou sua vida desde sempre, gritou pedindo silêncio. E a vontade, que passou a semana todo falando baixinho atrás da orelha, explodiu como fogos de final de ano, tambores de bateria de samba, bateria num rock n roll bem pesado, enfim, pedindo que se embriagasse o mais rápido possível. Dor de cabeça, frustração e álcool. A trilogia perfeita para a desgraça. Foi então que pode respirar, com um pouco mais de calma, inventou de fazer as contas e ver como andava o lado financeiro, pensar no final de semana com os amigos chegando, a provável derrota que viria depois do porre e decidiu, ao menos até agora, evitar a embriaguez. Mas aquela frustração como de álcool não pode se alimentar foi logo buscando mais razões para permanecer, tratou logo de lembrar a jovem da imensidade da saudade que sente da irmã, da falta que ela faz, de não entender mais a vida e, mesmo que isso fosse comum, de não ter alguém para apenas falar e dar um abraço sem tantas satisfações detalhadas sabe-se lá por quanto mais tempo. E com isso lembra de várias pequenas derrotas internas, inclusive da prova que não conseguiu começar quiçá terminar para entrar nas tão esperadas férias. Suspirou, profundamente. Acho que ela se cansou de todos os hahaha-s sem objetivo de demonstrar risada, apenas como vício de digitação, preferiria olhar no olhos e ser mais ela, por mais atrapalhada que seja. A garrafa de vinho de fato ficará pra depois, o final da noite talvez seja de quinta, mas não terá ressaca de sexta, prefere ir a um salão ficar bonita para si, lavar o ego e alma com qualquer coisa que seja interessante.
Quinta feira, digo, pois nesse dia ela se descobriu um pouco mais, perdeu um pouco da timidez e se permitiu, ela com ela mesma. Tudo lhe interessava, textos, vídeos, importunar alguém, menos fazer sua última prova do semestre. Apesar disso estava um dia leve, tinha ideias para falar, assunto para conversar sem ter que pensar muito e esforçar para ter o mínimo do nada. Indagou e importunou tanto que ouviu o que atiçava sua mais profunda curiosidade. Ficou extasiada, empolgada, sorriu, se encarou no espalho e logo em seguida teve uma pontada na cabeça, uma dor que duraria por um longo tempo, um sentimento de frustração, de saber algo e não saber fazer esse algo, de ter medo, ciúme, angústia, cogitar a tentativa mas a razão, aquela a qual acompanhou sua vida desde sempre, gritou pedindo silêncio. E a vontade, que passou a semana todo falando baixinho atrás da orelha, explodiu como fogos de final de ano, tambores de bateria de samba, bateria num rock n roll bem pesado, enfim, pedindo que se embriagasse o mais rápido possível. Dor de cabeça, frustração e álcool. A trilogia perfeita para a desgraça. Foi então que pode respirar, com um pouco mais de calma, inventou de fazer as contas e ver como andava o lado financeiro, pensar no final de semana com os amigos chegando, a provável derrota que viria depois do porre e decidiu, ao menos até agora, evitar a embriaguez. Mas aquela frustração como de álcool não pode se alimentar foi logo buscando mais razões para permanecer, tratou logo de lembrar a jovem da imensidade da saudade que sente da irmã, da falta que ela faz, de não entender mais a vida e, mesmo que isso fosse comum, de não ter alguém para apenas falar e dar um abraço sem tantas satisfações detalhadas sabe-se lá por quanto mais tempo. E com isso lembra de várias pequenas derrotas internas, inclusive da prova que não conseguiu começar quiçá terminar para entrar nas tão esperadas férias. Suspirou, profundamente. Acho que ela se cansou de todos os hahaha-s sem objetivo de demonstrar risada, apenas como vício de digitação, preferiria olhar no olhos e ser mais ela, por mais atrapalhada que seja. A garrafa de vinho de fato ficará pra depois, o final da noite talvez seja de quinta, mas não terá ressaca de sexta, prefere ir a um salão ficar bonita para si, lavar o ego e alma com qualquer coisa que seja interessante.
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