quarta-feira, 27 de abril de 2016

O mar está de ressaca,
e o cheiro dele está no ar
mesmo depois de tanto rebater contra as pedras e escorrer pelo entorno excessivamente.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Vou explodir?

Ninguém me conhece;

Sou capaz de contar as mais pensadas mentiras, dar um sorriso torto que parece verdadeiro, chorar em silêncio e sem lágrimas, mascarando decepção em mau humor. Preciso de um minuto de ajuda e quem eu penso em chamar? A psicóloga, porque não consigo pensar em ninguém disponível que diria "nós saberíamos que este dia chegaria mas tem problema não, chora aqui no meu ombro que depois a gente vê o que faz", só penso em um amigo para além que, no caso, não pode mesmo me ajudar porque, sinto em assumir, mas é o meu depósito de mentiras - bem intencionadas eu diria mas mentiras. Não fui capaz de transcrever isso num poema misterioso e cheio de rimas. Essa semana estou uma bomba mesmo estando onde queria. Ninguém me conhece mesmo estando em casa. Vou explodir?

segunda-feira, 28 de março de 2016

A piramide invertida

Era uma vez eu.
Eu planejei minha vida numa pirâmide invertida.
Quero ter uma boa casa, bem organizada e funcional desenhada por mim com vista para as montanhas, poder ter autonomia sobre minha vida e controle financeiro. Para isso preciso ser bem sucedida e ter um bom salário que me permita planejar e arcar com os gastos. Para isso preciso de um bom emprego no qual preciso ser reconhecida como excelente profissional e me sentir realizada. Para isso preciso procurar o emprego e começar. Para isso preciso de uma formação. Para isso preciso escolher a área de formação e começar. Para isso preciso planejar a curto, médio e longo prazo o que quero para meu futuro. Para isso preciso desejar, querer, gostar de alguma coisa. Para isso preciso conhecer as opções. Para isso preciso experimentar as opções. Antes disso preciso sentir certezas. Antes disso preciso enxergar minha vocação.

Hoje decidi parar. 

quinta-feira, 24 de março de 2016

Eles usam a palavra do velho,
Eles falam como se o conhecesse de fato,
Tratando-o por meio de apelidos, distribuindo suas citações aos quatro cantos, muitas vezes sem o contexto, mostrando como identificam-se com seus sentimentos, vivências, frustrações - ou não, e se satisfazem com isso, conformam-se com isso e basta.
Eu uso a palavra do velho,
Eu às vezes falo como se o tivesse conhecido pessoalmente num pub, trato pela redução de seu sobrenome, ou apenas de velho mas algo acontece que ativa um alerta.
Quando vejo os outros tratando dele como um herói, pessoas que nada sabem de sua história ou do contexto daquelas citações sopradas ao vento penso no quão enojado ele ficaria. Que ironia, a massa que, para ele, apontava um caminho provavelmente errôneo, hoje o aplaude, diz ser como ele era e não se incomoda em nada com isso.
Veja bem, este é um pensamento que tenho quando vejo publicações de terceiros sobre um cara que julgo saber um pouco, mas posso, e provavelmente já o fiz, ter feito isso com escritores de muito apreço para algum colega, só não sei se gerou esta mesma reflexão.
Não era este o ponto o qual queria chegar. O alerta que é ativado em mim pode até passar pelos parágrafos acima (que são muito mais profundos e caberiam várias discussões sobre) mas vai além. O velho é o único escritor que, pessoalmente, uso de parâmetro racional, se assim posso dizer. Quando leio seus romances, crônicas, citações ou o que seja é claro que me identifico com parcelas deles mas se vejo que concordo naquele período em demasia com suas palavras percebo que algo não está normal, algo fugiu do controle e está lançada a temporada de caça ao ponto que tudo desandou e no replanejamento.
Existem, obviamente, trechos que caberão em minha vida até o fim pois fazem parte do que sou e acredito, mas há discernimento em saber que muito do que se passou na cabeça do velho e que foi transcrito não é saudável para o meu cotidiano.
Passei do período de constante concordância agora estou na caça, mas sem mira alguma. É necessário recuar ao máximo.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Bomba

Reclamando do mundo desde a volta do carnaval,
quero minha casa
chega de provas
cansei disso aqui
preciso treinar lá
baixa autoestima?
cansaço exagerado
uma pessoa insuportável
minha cabeça não aguenta mais.
Preciso explodir, como não sei explodir me jogo na academia.. Quase morro com as quase crises asmáticas, as pernas falham, o suor atravessa meu rosto mas preciso dessa dor, dessa sensação de quase morri mas consegui.
Muitos "mas", muitos "não", muito "quase".
Inventei uma lógi-ca que está me quebrando as pernas. Não sou capaz de explicá-la mas é como se uma guerra acontecesse no meu corpo a cada  clique, a cada coisa que me deixo afetar.
Péssimas notas, péssimo convívio social, péssima concentração, péssima atitude;
Péssimas experiências, péssimos sentimentos, péssimos medos que me travam.
Aí uma explosão, me sinto dona de mim e quero lutar pelo mundo. Brigo com todos que não acreditam que o mundo pode ser mudado, tenho forças pra debater e levantar mil bandeiras... Dura um dia, dois, no terceiro já passa a ressaca pós guerra e lá me vejo frustrada pela incapacidade de levar qualquer coisa adiante e por ver tantas pessoas usando seu tempo para desmotivar os que são verdadeiros na causa. Fico ainda mais triste. Que merda de mundo, que merda de vida tenho levado. Mal sei me alimentar direito, mal sei tratar pessoas próximas a mim com calma e quero mudar o mundo. Minha mãe tinha razão.
Pois bem voltemos pra casa de mala e cuia pra ver no que dá... Tá.
Sério? Eu quero muito minhas casa mas largar tudo isso que reclamei pra trás, me parece tão fraco. Converso com pessoas que me incentivam a recomeçar e buscar meu próprio caminho, tomo decisões aqui dentro da minha cabeça, me sinto ao menos segura de mim.
Logo depois o dia recomeça.
Essa bomba tem grandes chances de explodir em mãos erradas.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Cap ou pas cap

Não sei quando surgiu o termo jogo, sei que sinto-me desafiada todas as vezes pelo jogo, pelo jogador, pelo conjunto da minha mente. Sinto que não posso lidar com a ideia que o jogo em si tenha uma finalidade, não no sentindo de objetivo mas de fim. Sinto que não tenho percepção do tempo gasto em pensamentos relacionados ao jogo, não apenas o ato e sim como um todo.
A propósito jogar deixou de ser um ato isolado se é que um dia o foi. Tem sido um jogo do acordar ao deitar a cabeça no travesseiro pela noite, desafiada durante todo o tempo e creio que posso incluir que sou desafiada no universo dos sonhos inclusive.
Minha motivação tem sido esses desafios, esse jogo que já não sei discernir o que é ironia, desafio carnal ou real. Tudo isso faz com que eu seja capaz de progredir em muitos aspectos que ninguém é capaz de notar, estou fadada por opção a estar presa no jogo até alguém dizer o que precisa para chegar ao fim e então saber o que tem depois do fim, a tragédia ou algo para além de um jogo. Claro, estou fada enquanto retiro impulsos, benefícios e .. cap ou pas cap?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Sem métrica

Hoje,
um daqueles dias que sinto-me incapaz
incapaz de ver minha própria imagem,
minha própria capacidade,
uma esperança qualquer,
um futuro para além.

A noite,
é quando piora a sensação
sensação de que aqui não é meu lugar,
não é meu papel no mundo
nem tampouco o que me satisfaz.

Nessa hora,
que já desliguei o telefone com curtas palavras,
curtas para disfarçar
disfarçar a impotência
a vontade de querer jogar
e jogar tudo pro alto.

Não entendo de métrica,
nem de dialética
Não faço filosofia
só espero todos os dias
a hora de ir para a academia.

Corpo
está exausto
não dos exercícios que tenho feito
dos pesos que tenho colocado
nos equipamentos
mas do peso que tenho dado
aos itens de minha vida.

E somente
na uma única hora que entrego a academia
sinto-me entregue,
entregue as minhas contagens,
as minhas dores e desafios físicos pessoais
de resto...
meu único desafio é encarar a vida.