sábado, 13 de fevereiro de 2016

Cap ou pas cap

Não sei quando surgiu o termo jogo, sei que sinto-me desafiada todas as vezes pelo jogo, pelo jogador, pelo conjunto da minha mente. Sinto que não posso lidar com a ideia que o jogo em si tenha uma finalidade, não no sentindo de objetivo mas de fim. Sinto que não tenho percepção do tempo gasto em pensamentos relacionados ao jogo, não apenas o ato e sim como um todo.
A propósito jogar deixou de ser um ato isolado se é que um dia o foi. Tem sido um jogo do acordar ao deitar a cabeça no travesseiro pela noite, desafiada durante todo o tempo e creio que posso incluir que sou desafiada no universo dos sonhos inclusive.
Minha motivação tem sido esses desafios, esse jogo que já não sei discernir o que é ironia, desafio carnal ou real. Tudo isso faz com que eu seja capaz de progredir em muitos aspectos que ninguém é capaz de notar, estou fadada por opção a estar presa no jogo até alguém dizer o que precisa para chegar ao fim e então saber o que tem depois do fim, a tragédia ou algo para além de um jogo. Claro, estou fada enquanto retiro impulsos, benefícios e .. cap ou pas cap?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Sem métrica

Hoje,
um daqueles dias que sinto-me incapaz
incapaz de ver minha própria imagem,
minha própria capacidade,
uma esperança qualquer,
um futuro para além.

A noite,
é quando piora a sensação
sensação de que aqui não é meu lugar,
não é meu papel no mundo
nem tampouco o que me satisfaz.

Nessa hora,
que já desliguei o telefone com curtas palavras,
curtas para disfarçar
disfarçar a impotência
a vontade de querer jogar
e jogar tudo pro alto.

Não entendo de métrica,
nem de dialética
Não faço filosofia
só espero todos os dias
a hora de ir para a academia.

Corpo
está exausto
não dos exercícios que tenho feito
dos pesos que tenho colocado
nos equipamentos
mas do peso que tenho dado
aos itens de minha vida.

E somente
na uma única hora que entrego a academia
sinto-me entregue,
entregue as minhas contagens,
as minhas dores e desafios físicos pessoais
de resto...
meu único desafio é encarar a vida.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Ubermensch

Hoje eu seria um ser predestinadamente fraco à luz de Nietzsche, sou a culpa ambulante que executou grandes conquistas neste conturbado ano. Engraçado que ali no fundo grita uma voz que sabe o que diz, que sabe a força e o poder que tem, o impulso. E ela bate no vidro que fechei, ou na redoma que criei e trinca, pouco a pouco, querendo seu espaço. Contraditório um ser fraco exibindo sinais de super homem, sendo assim sempre fui um ubermensch - com seus sinais vitais abafados.
Esclarecidamente confusa, sei meus pontos fracos, sei a raiz de meus conflitos mas não sei como soluciona-la sem resolver antes a questão do mundo todo.

domingo, 8 de novembro de 2015

Shots de café

Alguns cafés não são para serem 
degustados
São para serem imediatamente tomados em 
rápidos goles
Cafés fortes, nada de açúcar
Talvez apenas
Um pouco de mel aqui
Uma pitada de canela pra fechar.
Algumas atitudes não são para serem
degustadas
São para serem -talvez não tão imediatamente-
tomadas
Decisivas, práticas
Não por isso menos difíceis
Não por isso sem cautela ou leveza,
Não por isso.
O que ficar já foi outrora
degustado
em meio a encantos e
euforias
acrescentado de mel, canela e
pimenta
E passou, na vida daquela que tudo enfrenta, passou
muito bem... passado.
Enquanto aguardo o recomeço
Não degusto, não encanto
Observo, reflito
Enquanto calmamente encaro 
Os shots de café.

domingo, 25 de outubro de 2015

Eu vou mas eu volto - Parte I

O laço nos pulsos,
o laço no cabelo,
o nó na garganta.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Minha nova cama

... não é sobre ela; é sobre tudo que penso e vivo nela.
A greve me presenteou com o que eu mais desejava, minha casa.
Também minha família, meus jogos noturnos de final de semana entre outras coisas inesperáveis. Vivi uma realidade que não sabia que era capaz, não sei se foi benéfica mas me deu bons sorrisos e sensação de alívio, não tinha mais que ir para lá. O sofrimento em cuidar de fazer e desfazer a mala foi deixado de lado e deu lugar a arrumação da bolsa de treino. A correria de sair no final de semana porque domingo era dia de achar carona passou e deu lugar para uma preguiça, talvez, de "com certeza é melhor ficar na cama". Umas saudades são recorrentes mas como não ando sabendo bem como lidar comigo talvez seja melhor não atrair mais gente para perto. Tanto me foi dito sobre amigos nesse tempo que ao presenciar uma discussão capaz de mudar o rumo de histórias refleti sobre onde estão e quem são os meus.
Nesses meses de férias-greve também me senti com 17 anos, entrando em um ônibus rumo ao inesperado. Podia ter dado tudo errado, como acabou nos tempos de 17, mas deu certo mesmo com as pernas bambas e ainda não acabou. Dessa vez há clareza e uma boa dose de confiança com gotas de frustração já esperadas que não julgarei. Claro que não passaria assim tão em branco sem ao menos um porre digno de ser esquecido, houve. Mas todo o resto foi bem maior.
Mal consigo me manter em cima desta cama sem ver tudo que já aconteceu nela passando como um filme e olha que ela é novinha. Tenho duas semanas pela frente sobre esse mundo, hoje azul, confortável e gigante, que sei.. serão dias tumultuados, do choro ao riso, da clareza a confusão e de, claro, inesperados..
Continuo confusa, com a autocrítica lá no teto e me perguntando onde andará Fred para me dar um abraço e dizer para de frescura, mulher, sai daí. Hoje não sou capaz de gritar por Fred embora meu coração o faça sempre.
Com a greve eu ganhei também a certeza de um amigo, nesse caso me valeu as alegrias que já vivenciei e sei que em outro quesito, o das pequenas frustrações só cabe a mim enxergar até onde vai, como sempre, ao meu ver os tapas de sinceridade tem sido mais valiosos.
Eu disse.
Queria dizer a você quando disse também. Algum dia quem sabe.

Até o momento decidi que preciso trabalhar a força para refazer as malas e encarar mais uma vez aquele outro universo, quero tentar, novamente, de uma outra forma se possível. Se vou aguentar um dia, uma semana, o semestre ou até o diploma eu não sei, a longo prazo me parece razoável ao menos tentar. E se não der? Pra quem levou porrada, teve hematomas e se dedicou ao longo dos meses, 230km podem sim ser piores mas que eu seja capaz de lembrar da dor física: fica roxo, muito tempo, dói, queima, te impede de fazer determinadas coisas, exige cuidado, paciência, gelo mas passa e rápido até. Só não precisa chorar...
E estou aberta a mudanças de opinião.

sábado, 22 de agosto de 2015

A verdade é que eu não gosto de nada, não gosto de sociologia, não gosto de filosofia, não gosto de religião, não gosto de história, tão pouco geografia ou turismo. Não é por maldade, é que eu não entendo nada do que me falam, estou no fundo olhando para o quadro negro e se pensam que estou devaneando [?] ou sonhando com algum amor enganam-se, é um branco, um vazio, um nada. Sou eu sentada na cadeira em algum degrau específico que escolhi detalhadamente para aquela disciplina, encantada por 5 minutos com o professor ou professora e depois disso apenas olhando um quadro. Tenho muitos cadernos, muitos mesmo e nunca usei nenhum deles de maneira que me fizesse entender o que estava escrito depois, talvez apenas na primeira semana da aula de Humanidades quando eu usava um de meus cadernos rascunho, talvez, tirando línguas, tenha sido a unica matéria que tenha entendido na academia, alias matéria não, parte da matéria, só a primeira. Nunca escrevi um trabalho digno da academia também, talvez tenha esboçado uma coisa ou outra que chegasse no mínimo aos pés de um, é porque eu não entendo nada do que me explicam, nada do que leio, nada que me mostram. Já criei vários planos para estudar: caderno rascunho para passar a limpo no caderno oficial, gravar aulas inteiras de três, quatro horas para ouvir pausadamente depois, ler na biblioteca ( isso me dava um sono desesperador, como se não dormisse há dias), ler em grupo, ler no centro acadêmico, ler com fones de ouvido tocando música instrumental ou em línguas desconhecidas, ler no quarto com a porta fechada, ler na sala, ler de manhã, ler de noite, ler de madrugada, ler resenhas na internet, ler bêbada, ver vídeos e filmes, mas não entendo nada. Um ano sem entender nada mas sentindo um impulso de estar no meio de tudo aquilo, como se tudo aquilo tivesse um porquê e algo a me ensinar mesmo que tenha passado um ano sem eu entender nada. Pode ser que eu tenha algum problema real em assimilar informações, ou que aquilo tudo não seja meu caminho de fato ainda. É tão ruim não saber nada, não entender nada e não por preguiça, mas por não saber mais inventar planos para saber.