quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Sentindo nada, terrando tudo que posso

Dores, roxos, cansaço físico.
Observando, entendendo, descobrindo e tentando.
Terrando tudo que posso, vulgo curando.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O literal soco na boca do estômago

Tenho tido surtos na parte da tarde, choro desesperadamente por medo da solidão, medo da distância, medo do mundo, medo de mim. Ainda assim sorrio nas ruas quando encontro um amigo, ainda assim, lavo o rosto e tento falar com meus pais sem chorar pra aproveitar cada segundo do que me resta de férias. A primeira vez que coloco isso em palavras, mas não é a primeira vez que sinto. Essa descrição sobre os medos é apenas um item do que causa meus surtos, na realidade eu não sei porque estou assim. Não tenho mais bandas preferidas, músicas favoritas, lugares perfeitos que me bastam. As coisas não me bastam, sinto carência de presenças. A vida de todos ao meu redor mudou, como a minha também, só não estou sabendo a melhor forma de reagir. Estou perdida, sem rumo, sem foco, sem determinação. Vou, onde mandam, onde tenho que ir. Faço o que é necessário, mas quando não há presenças no entorno, principalmente presenças que se comunicam comigo não sei o que sou o que faço ali, só queria gritar a minha mãe e pedir ajuda, gritar meu pai e ter o diagnóstico dessa falta de nexo na vida. Minha casa é aqui, minha vida é por aí onde ela tem me levado e poucos podem entender. Não há como estudar aqui, repito isso como opinião da massa, pois bem fui estudar fora. Não há como ter carreira aqui, pois bem, depois da faculdade penso nisso. Mostrando que não há negatividade neste depoimento sinto imenso prazer em ter conhecido todos que conheci naquela outra cidade, quando estou com eles estou de fato com eles mesmo sabendo que ainda não consigo discutir algo tão profundamente quanto eles o fazem. São a minha galera, mesmo que contados nas mãos sinto um carinho e conforto em tê-los nessa fase. Aqui na minha casa eu tenho os meus, os que completam o meu estar em casa, isso inclui família, amigos, colegas do trabalho lindo que tive. Sei exatamente onde encontrá-los. Cada um segue sua vida a sua maneira e me parecem contentes, ou menos preocupados que antes, mais conhecedores de si, mais maduros. Tiveram todos suas fases complexas, passaram e encararam cada um a seu modo e hoje se não estão realizados estão no caminho, se não estão no caminho conhecem o próprio objetivo. Não são pessoas padrão, pelo contrário, bem diferentes uns dos outros, não fazem questão de agradar ou paparicar só de ser o que são e tenho aprendido muito com isso. Se imaginassem a falta que me fazem... Sou egoísta de último grau, como bem demostrado em vários textos, queria todos comigo e tenho guardados dentro de mim. Se antes eu falava pouco agora falo menos ainda. Ouço tanto quanto sempre ouvi e gosto disso; penso em coisas muito inúteis que inclusive me atrapalham; faço o que consigo.. Não sei me esforçar, não sei o que quero e só sinto vontade de começar a contagem regressiva pra faculdade acabar, ou, tentando decifrar o que sinto, queria uma contagem regressiva dessa confusão mental que me atrasa e preocupa minha mãe, que é a única que percebe - por passar muito do pouco tempo que tem livre comigo-  que algo está anormal. Não sei começar uma conversa com meus amigos ou mesmo com meus pais, tenho a impressão de que falar sobre problemas com quem quer que seja acaba preocupando quem nada tem a ver com isso e nem precisa pensar numa solução. Não evoluo nem mesmo na forma de escrever, o pouco que evolui desde que comecei as anotações aqui e em diários há pouco encontrados foi o português e nem tanto assim.. Não sinto que sou uma pessoa negativa ou pessimista (é um dos meus receios ao tentar falar com alguém: que pensem isso). Só uma pessoa perdida quem não sabe como se procurar. Tenho receio de tudo, ridiculamente... Meu primeiro desafio do ano, já que por receio não pratiquei uma nova língua, foi começar o treino, o típico cansar o corpo , bem judiado por sinal, para escapar da mente. Tudo tem limite e tempo senão bem que faria todos os treinos possíveis mas só de encarar dois desafios de uma vez já me sinto melhor. E estes estão sendo: começar uma atividade sem conhecimento( pedir conselhos, perguntar o que não entendo, esforçar para fazer corretamente, etc. etc. etc.) E, não menos desafiante, encarar alguém, com quem pratico falar mais sem falar tudo ainda. Por mais estranho que seja, os socos no estômago (literalmente falando) soam como lavar roupa suja sem se sujar. Há quanto tempo não conseguia escrever... Continuo cheia de dúvidas mas com menos lágrimas entaladas na garganta. Meu maior desejo desse mês e acabar com esse chororô e aproveitar integralmente cada segundo em casa. E depois pensar no depois e que seja tranquilo. Esse lugar me serve como um abraço que não tenho quando estou sozinha, uma sorte poder tê-lo.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Quero abraços

Uma casa tem toda liberdade para ser bagunçada mas não tem liberdade para bagunçar casas alheias. Um canto que não é seu tem de ser tratado com todo respeito e clareza parar não se tornar turvo pela poeira vizinha justamente quando está praticamente organizada.
Vivo querendo juntar as bagunças da sociedade inteira só que não penso no quão sujo essa junção pode ficar. Pessoalmente fico mais carregada, chata, implicante, impaciente do que feliz e recepetiva, não tenho sido um bom lar respeitoso, tão pouco clara.
Esse ano já me despedi de algumas nuvenzinhas negras que rondavam minha casa ainda tenho muitas outras pelo entorno e que só me afetam quando percebo que afetei a casa do vizinho. Não é falta de olhar pelo próximo, é falta de saber olhar  com mais cuidado ainda ou melhor, falta de olhar mais fundo aqui dentro de casa.
Toda essa água saindo, querendo limpar a poeira não veio do nada, mas já se foi. Fiz coisas acreditando ser uma ajuda, mas talvez a forma com que fiz não ajudou só atrapalhou, já me desculpei só que desculpas não limpam casas.
Meu dom de sentir culpa pela poeira alheia aparece novamente, justamente pela contribuição da que vos fala. É dificil ser adulto e não poder errar ou não saber de tudo para corrigir os erros.
Quero ser criança, brincar, sem peso, sem porquês. Quero abraçar casas alheias e saber que não posso fazer nada alem de respeitar suas individualidades, sei lá! Quero abraços.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Uma mente me transform-ação

Há alguns dias um certo incômodo tem tomado boa parte de meus devaneios. São questões que tenho de uns 5 anos para cá, no mínimo mas que nunca tentei procurar soluções. Ultimamente presencio discussões intensas, repletas de argumentos teóricos e práticos e pessoas ou muito mais novas que eu ou mais velhas que começaram cedo a pensar e viver sobre.
Poderia saciar essa minha vontade de saber de mil maneiras, mas escutar tais debates tem sido uma das mais interessantes. Pode soar como quem quer ouvir conversa alheia, mas não estou exatamente focada nos detalhes da conversa, sim num geral, no que posso arrancar de útil ali para o meu desenvolvimento.
Debates tidos como chatos pela maioria geralmente chamam minha atenção, são meus "novinhos" fazendo muito mais do que fiz em toda a vida e se eu bem encarar posso tomar como estímulo e mola.
Então lá estava eu, na mesa do bar, sem nenhum copo na mão ( o que é tido como raro), sem focar nos míseros detalhes discutidos por duas pessoas relativamente experientes, não pela idade, por vivências no meio social, refletindo a cada frase que conseguiu minha atenção.
Minha mente está um nó, não sei por onde começar nem mesmo qual meu foco principal, quero aprender tudo agora, tudo junto, saber de tudo; o pouco que sei não me basta mais. Sigo nos filmes, depoimentos e entrevistas enquanto continuo acompanhando as discussões e usando para analise do próximo item da minha longa jornada do conhecimento.


29-11-14
Chuvinha de dezembro caindo
As férias e minha casa
Minha família e meus amigos
tão perto quanto desejei
todos os dias desse semestre.
Uma semana para meus vinte e dois
essa data que traz sempre a nostalgia
e reflexão de tudo que passou
junto da contínua falta de planejamento do depois.
Dois mil e quatorze
se ano de mudança não fosse
o que então seria?


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Dia cinza e sorriso

Com o título se faz minha segunda.
Sigo na mesma de, depois das conversas de boteco, acordar no dia seguinte e ir fuçar fotos provocando a danada da nostalgia. Aí eu paro, penso, morro de saudades. Paro e penso mais um pouco em quanto tempo já faz e já nem morro tanto. Ouço umas músicas, vejo mais fotos, tento entender esse mundo tão minúsculo. Já vivo de novo, me pego cantando, sorrindo... Aquela nostalgia, que sempre tola acho que é minha, deu um oi e se foi. Abro o blog sempre na intenção de descarregar o mundo, mas hoje não consegui. Comecei escrevendo a primeira e a ultima frase do texto, mas sabe que tive que apagar a ultima? Estou tão tranquila que só vou juntar na mochila e ir pro meu cantinho lá em cima.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

No quarto escuro observo

Quando observo o quarto no escuro
o lençol já não é mais tão gelado,
a vista não intimida,
o som é perto do tolerável,
o cheiro é de "minhas coisas"
aqui dentro.
Meu espaço nesses últimos tempos
que em breve deixará de ser
na verdade nunca foi como meu canto.
Aqui dentro eu durmo em paz
nas temporadas que preciso estar.
Uma porta que divide não só um
espaço físico
mas um espaço de energias.
O som, o cheiro, toda característica para além
da porta
não pertence ao meu mundo
nunca será.
Em dias como hoje
por exemplo
o cansaço e o não descanso em momento algum
ajudou a esquecer ou a não pensar
que ainda preciso mudar
de casa
mais que isso
de atitude.
No quarto escuro observo a mim.