terça-feira, 23 de julho de 2013

52dica

Um coluna mole feito amoeba,
um sorriso que esticava ao modo gato,
risadas, ações e falas que não aconteceram,
chuva que não existiu.
Um estalo para as horas mais cansativas,
mais abstratas que se podia passar até então.
52dica fraco, de gosto amargo e androidemente viajado.
Acabou nature como a vaca-cão.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Drogaria

A face estava estagnada, só os olhos mexiam. Um suave calor partia das orelhas, envolvia as bochechas e se encontrava na ponta do nariz. Os ombros estavam pesados, os dentes rangendo inconscientemente, pura tensão. Não devia ter arredado o pé da cama. A cabeça doía. A sorte não vinha. Não era de todo ruim. O tédio envenenava. A postura não existia. Queria dormir, o sono não vinha, o sonho não tinha. O cansaço batia. As unhas por pouco não fizeram estrago. Talvez nem por muito fariam. Nunca fizeram. Não aqui. Pff, unhas. A culpa sem procedência surgia. O mau humor não assumia. Os erros cada vez mais cometia e corrigia. E finalmente chegou o final do dia.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Tesouro

- Olha, cavando!
- É? Pra achar o quê?
- Um tesouro.
- O que é esse tesouro?
- Ouro! Muito ouro!
- Nossa! E o que você vai fazer com esse ouro?
- Comprar.
-Comprar o quê?
- Hmm... Você!
- Você tá procurando ouro pra me comprar?!
- Uhum, sim!
- E quanto ouro você achou?
- Essa piscina toda é ouro.
- E quanto desse ouro você precisa pra me comprar?
- Aqui! (mostra uma bolinha)
- Uma bolinha de ouro me compra?
- hm.. Não, não! Preciso da piscina toda!
- Tudo isso?
- Não sei. Quantos anos você tem?
- 20.
- Então preciso de 1, 2, 3, ... 17, 18, 19 e 20! (contando as bolinhas)

Durante o dia roubaram meu nariz, fizeram cócegas e contaram histórias para mim. E ainda usam o tesouro para me comprar! Só o que eu precisava mais era daquele abraço de urso que ganhei! E do cansaço nem me lembro mais..

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Não quero escrever o futuro

Será que procuramos por fotos para lembrar e reforçar o rosto que não queremos esquecer?
Será que que escrevemos para intensificar e reforçar o sentimento?
A impressão que tenho é que sim, a cada foto fica mais nítido imaginar o sorriso, o olhar.. a memória; a cada palavra sinto como se tivesse escrevendo o futuro, como se o que eu escrevesse fosse capaz de se tornar realidade só porque escrevi. E assim, parece que aumento o que realmente sinto. Outro dia li :
"... De algum modo, contar histórias repetidas vezes 
parece tornar elas mais reais do que devem ter sido." 
(Henry Charles Bukowski)
E é isso que estou tentando explicar. Que não falo, não escrevo com todas as letras para não tornar realidade, para não escrever o futuro. Mas ainda vejo as fotos... E graças a isso a memória, mesmo que ainda recente, fica mais e mais natural, ainda não é filme mudo tem o som das risadas, boas, ótimas risadas! Acredito que percebi a tempo. Será?

terça-feira, 2 de julho de 2013

Algo sobre falar

Eu sei que esses dias acordei de mãos dadas com o Bom Dia. Depois dele sorrir e me abraçar, simplesmente aceitei que coisas acontecem e que não necessariamente elas terão um motivo, uma justificativa para acontecerem. É ..natural. Se quiser encontrar um motivo para essas coisas, sei que vou pirar - de ter dores de cabeça- e isso estragará tudo. Então eu sorri pro bom dia e o abracei também. E foi isso. Acaba sendo algo mais sobre sentir.

domingo, 23 de junho de 2013

Maaariiia!

E quantas vezes mais eu vou ter que rever esses filmes, sentir um aperto e desejar ter escutado uma mentira?
Esqueço que um dia vou ter que despedir das pessoas até que me deparo com a notícia e as cenas passam, posso ouvir a gente na escola, ver na rua de cima as brincadeiras, esfolando o joelho por medo de bruxa, os apelidos bizarros, os aniversários, os doces, a paródia e os trabalhos que seu irmão ajudava a gente.. e depois como muito ocorre perdemos o contato direto, era o oi na rua, o sorriso à distância, mas sempre algo bom. Por mais que ainda esteja em choque, peço para que te protejam aí, que seja muito iluminado seu caminho e que as forças conforte o coração do pessoal que fica. Obrigada por fazer parte da minha vida, da minha histórias e das minhas lembranças, Maria!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Procure o outro lado

Em dias como este posso ouvir os apitos novamente, o bater das panelas, vejo cada rosto pintado e olhos pedindo para que nos vissem. Éramos pouco perante ao governo, mas éramos os primeiros a querer mudança. Fomos enganados? Sim, mas ao mesmo levantamos da cadeira onde muitos aí estão sentadinhos agora e buscamos resposta. Em dias como este e como os últimos pude ouvir frases feitas de quem olha tudo de fora, criticando e mandando energia negativa, de gente que vive na clássica cultura do "Vocês acham que vão mudar alguma coisa? Só estão perdendo tempo..", "Tudo tá caro mesmo, é a vida". Não, não "é a vida", são vocês, somos nós que deixamos isso acontecer, mas se hoje UM ALGUÉM que seja protesta é porque uma parcela da sociedade começou a despertar do sono de beleza! Vocês dizem ser contra protestos por ter muita violência. Bom, contra violência também sou. Mas não se esqueçam que um protesto termina onde começa uma violência. Portanto não venha nos dizer erroneamente que é contra protesto, saiba dizer que é contra vandalismo, mas mais importante que isso: PROCURE O OUTRO LADO. Pense no exemplo que está escancarado em sua face durante a semana toda: milhares de pessoas em passeata lutando por um direito. Um direito que você pode usufruir diretamente logo mais, ou um direito que vai refletir no seu bolso indiretamente. Pense que pessoas foram agredidas dos dois lados. Se puder calcule quantos foram presos, veja também quantos no último dia eram jornalistas, pessoas que estavam buscando passar o outro lado e sofreram agressões sem ao menos estar no protesto assim como um ciclista que foi agredido por policias enquanto passava pelo local. Não quero impor minha opinião, tenho a minha verdade, tenho consciência de que muito é relativo! Só quero que as pessoas pensem no lado que a tv não mostra, que os jornais "populares" não conseguem mostrar e que elas tem acesso mas ignoram. Infelizmente nossa cultura é de "se não me atinge diretamente, por que me preocupar?". Quando tivermos dimensão de que tudo nos afeta e está indiretamente interligado por aí até chegar ao nosso bolso o povo finalmente acordará! Mas espero que não seja ainda mais tarde..